quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

janeiro

Janeiro é o mês mais poético
para mim.
Não sei se pela alta ociosidade
que nos põe em guarda.
Ou por ser a prévia do mês
de uma tragédia.
Faço aniversário em fevereiro.
Odeio isso.
Ficar cada vez mais velho,
e perdido, sem ter dado conta
do que passou.
Sem prestar conta do que me fez,
do que fiz.
Dando cheque em branco para
as ilusões,
honrando apenas meus caprichos.

Enfim, sinto-me velho
por nem menos responder
às dúvidas,
de quem eu sou e para
onde vou.
Sinto-me fatigado por minha paralisia,
vendo tantos outros,
muito além, e que começaram
em paralelo comigo.
Não sinto inveja, nem pena
de mim mesmo.
Apenas me sinto no limbo da mediocridade.

E nessse mundo de papéis
em cores dados pelas casas financeiras,
nem ao menos sou capaz de fazer-me
por mim próprio.
O melhor desse balanço,
seria considerar o janeiro,
como a época do ano
em que mais me ensimesmo
profundamente.
E que o ganho maior seria
acabar com qualquer
mim mesmo,
que me encasca.

2008.

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