domingo, 23 de março de 2008

Meu avô

Ouvindo ela falar de um vovô
que era de grande nome da história,
mais tarde, olhando da janela do ônibus,
lembrei o meu avô.

Meu avô era o homem dos cabelos brancos,
meu avô era o homem do leite,
o zé leite.
o homem dos vinte e dois filhos,
das intermináveis andanças.
É que meu avô era tropeiro.
E teve 22 filhos,
muitos choros de criança
e muita sova nos guris.

Meu avô era o homem que não sorria,
o homem sisudo.
Homem do respeito, da pompa
da maneira nobre ao se apresentar.
Meu avô era grudado ao cavalo,
tinha mais ligação com ele
do que com minha avó.
Santa potranca! Era a dindinha
que só conheci menino.
E ele nunca o vi,
só nas fotos de sisudo,
e das histórias de seus 11 filhos,
que restaram das 11 mortes
ao longo e antes
desses meus 22 anos de vida.

O homem que não sorria,
depois fui saber,
tinha a farra com os amigos.
Nos recondidos das manguaças,
com o seu Thiago dono de bar,
se largava na marvada.
Queria ver ali o velho sisudo.

O mêu avô, além do cavalo
não tirava o chapéu,
que além da cara amarrada,
marcava sua figura.
Ero o "Zé Leite". Todos o conheciam.
Eu jamais,
só hoje refaço suas histórias,
que desfazem
e desfilam aquele homem
'que nunca sorria'.

--

III 2008

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