Antes de chegar pensava no balanço do tempo.
Pensei o quanto não fiz.
O quanto não conquistei, e deixei um vazio.
O mais incrível é que em uma cidade
tão preenchível como o Rio,
eu fiquei vazio.
Quase o choro vem, mais uma vez.
A multidão me deixa só.
As iluminações próprias nos
tornam repentinos repetitivos;
prontos para soltar o verbo em qualquer vertente.
Mas elas se repetem.
Os argumentos são afogados
pelas faltas de materialidades correntes.
O que fizeste?
E quando a vida já não se mostra inteira,
mas parte já foi passada,
amassada, não aproveitada[?]
Pelo ao menos precipita-te
em tirar proveito de teus fracassos.
Eis algo de positivo!
Nas opressivas passagens
opinativas da vida,
o sujeito se faz de um só
sem limites.
Reencontra caminhos,
mas não se recompõe,
os sentidos são desumanizados.
Faz força para reverter a sexualidade
em sensualidade.
Com as belas coisas que lê e ouve,
refaz os melhores momentos, pensamentos
e ações bonitas.
Ainda sofre daquela doença revolucionária -
esperança!
Tem fê em tua falta de métrica,
no teu choro,
[que agora clama, acumula água em tua pestana]
cai no teu viés de derrota.
Mas não vencido.
Entre os incompreendidos,
se desfaz em flores,
pois és mais uma pétala
do imenso mar que te comove.
Basta sentir o cheiro,
o tato leve,
e a sensualidade sutíl
do roçar os dedos por qualquer
ventre de flor que te fornece,
luzes ao teu caminho.
--
obs: não sei se já postado,
mas agora pode ser visto, como o
último postado por hora,
dentro outros que há,
mas já não tenho disposição em anunciar,
e do que adianta também...[!?]
Que isso não seja torneira individual,
a poesia não merece!
março de 2008.
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3 comentários:
Vc escreve bem!
Não sabia da sua ligação com o JR.
Boas realizações no caminho q escolheste!
fala ai camarada. acho esse um dos seus melhores poemas, vejo o sentimento de uma indigancao com a vida pouco vivida expressa em muitas de suas palavras. gostei muito dos primeiros versos.
conheco e me identifico com o sentimento que voce transmite, a ideia de que se semi-viveu uma vida traz enorme melancolia. no entanto nao é tarde para atuar, para perceber que o mesmo caminho nao pode continuar.
camarada,
respondo a tua poesia com outra poesia, que escrevi a partir do conflito expresso no seu poema.
Tenho tanta raiva da minha covardia
do passado
das tantas vezes que fechei
as portas do amor
assustado
Das vezes em que quis amar
mas o medo falou mais
Alto
Das vezes em que quis me apaixonar
mas a pressão
foi a que deu o passo
Das vezes em que quis ser eu
mas foi Deus
que transformou o ato
Sinto raiva dos momentos não
dados
Dos medrosos que estimularam
o sensato
dos mesquinhos
que com amargura
mataram
a coragem dos vastos.
Sinto raiva pelo meu medo mesquinho
por aqueles ares secos e tranqüilos
sinto raiva pela minha covardia
que escondeu meu perceber de que as
vidas semi-vividas
fazem do tempo
ardente
uma rancorosa melancolia
de estrago.
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