terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Parte a criança


Volta e meia o tempo

em que se era criança

conturba nossos sonhos.

Rememora-se os atos pequenos

dos flashes de memória.


E na cena da criança entre

duas gerações distintas -

de um lado da mão -

a avó - do outro -

a mãe.

Como se puxassem e

moldassem o falar sozinho

daquela menina.

Era a visão da vida

que se parte,

e vai se repartindo.

Como tudo passa,

algumas partes

ficam, outras se

partem para sempre.


O que conta é ver aquela

vida inteira,

esmagada pelas mãos grandes,

enrugadas e cheias de verdades,

e lhe [as]seguram as certezas

da inocência.

O 'já-pronto' é pesado.

Nesse caminho onde a vida

vai se tornando um ocaso

desejamos ser crianças.


Que os variados nãos cotidianos,

ou os monstros e estorinhas para

dar as moralidades que prendem,

não faça da vida em pedaços,

um estilhaço

de descaminhos e desconfios.


---

quase fevereiro de chuva - 2008.

3 comentários:

Anônimo disse...

fala ai camarada
aproveita bastante o carnaval, eu ainda estou aqui, na minha prisao irreal.
valeu por ter avisado, nem sabia que existia o ciudadbasura.blogspot.com, acho que foi um erro do blogspot, que criou esse blog.
eu nao consigo entrar nele.
ah valeu pelos teus comentarios no el hospital de los locos de amor, esse è um dos textos que escrevi que mais gosto.

Anônimo disse...

esse é um dos seus poemas que mais gostei, no entanto é muito narrativo, pouco lirico, e acredito que falta algo de visceras á essas palavras.
resgato do poema o fato de tuas idéias serem bastante claras.
sobre a crítica em el hospital de los locos de amor, mesmo estando de acordo que no conto nao descrevo tanto os objetos, acho que ao fazer isso estragaria a atmosfera surrealista que tento apresentar.
abracos,
teu camarada,
na literatura e na revolucao.

Anônimo disse...

li novamente teu comentario, po cara, bastante lirico, hehe, incrivel, voce consegue ser bem mais lirico no teu comentario dos que nos poemas, talvez porque no comentario voce deixou a imaginacao rolar, e o poema voce construiu passo a passo.
achei o comentario algo confuso, mas depois li com atencao e gostei bastante.
ah que mais. sobre o que voce falou, sim a realidade esta em todas as partes, nao tem como fugir dela, a unica solucao é mudar-la. por isso mesmo nao acredito em me isolar numa comunidade hippie onde a sociedade que sonhamos existe de maneira muito reduzida, por isso mesmo nao é a sociedade que queremos, porque o que quero é mudar tudo, e nao fingir um simulacro paralelo e irrelavante.
sobre ter amigos ou nao comunistas, nao sei, eu tenho poucos amigos, mas dos que tenho acho que voce é o unico que é comunista, e acho que esse foi o primeira coisa que estabeleceu uma conexao entre nos, mas com o passar do tempo nao foi a unica.
acho que com os amigos é assim, eixstem temas que ligam as pessoas, no entanto a luta por uma sociedade melhor nao è apenas um tema,vai muito mais alem, porque mostra uma forma de ser.
é isso. abracao.
aproveita o carnaval.
as vezes sou um critico duro, mas tudo é construtivo. gosto muito dos teus escritos politicos.