domingo, 9 de dezembro de 2007

ao pó do final


Não adianta,
não consegue descrever a realidade.
só enxerga o sonho
nos olhos.

Não há mais tempo para inglórias,
tudo é muito novo para retomar passado.
Mesmo que a cara ja´te mostre ancião,
não é motivo os saudosismos tão charmosos.

As marcas dos objetos trazem um alívio gostoso,
das conquistas e das saudades,
servem simplesmente de referência para as pessoas que passaram.
O mundo nostálgico daqueles
que em outros tempos não seriam escravos,
é um abraço pras especulações pobres,
já que não se pode escavar
as mesmas poeiras que recobriram aquelas imagens envelhecidas.

E como se salvar dessas doces lembranças,
que aquecem pensamento,
é o presente de mamãe, a foto de papai,
o baú de vovó, tudo guarda nostalgia.
E para quê algo à frente,
se as reminiscências são tão calorosas?

Se andam pra frente os bichos que corroem
essas máquinas de nossas cabeças,
só nos resta inventariar
preservações,
e essas não se fazem no mundo espetáculo,
pois até para lembrar
do que já foi,
não é possível deixar vagar
os besteiróis que corroem o velho,
e sim o fogo queimando tudo,
vem vem as cinzas mais marcantes.

Tudo vira pó no final,
inclusive os livros que alimentaram
os bichos estranguladores
do nada, que reluta em aparecer.

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