domingo, 9 de dezembro de 2007

O discreto charme das memórias


Em meio ao tédio as memórias se põe maiores,
a passos largos de resumos inventivos
são acalentos das noites frias,
do preenchimento constante
das mortes vibrantes, cotidianas.

A morte é o dormir,
a memória a reminiscência
os pontos marcados, acupunturados
em nossas mentes,
que são os corpos passeando
vagabundamente pelas ruas
sozinhas e tristes.

E ainda se lembra de esquecer,
de que deve esquecer,
pois a memória é a saudade
de voltar, mas o medo
de machucar.

Ainda assim, o mais
definidor dos jogos de memória,
não é a métrica em que se põe
perante nossas vidas quadradas,
senão os traços curvilínios,
que quebram as quinas de nossos
discursos.
A própria romanticidade dos contos,
e recontos, pois a cada contagem
nem os números são os mesmos,
quem dirá as palavras.

Difinitivamente,
a memória é a saudade de casa,
mas o ódio do tédio,
pois já não é a mesma casa.
É de cada casa que queremos
pôr à frente,
não o espaço fixo do passado.
Um passo adiante, com as
silhuetas do pé a caminho de
seguir em frente.

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