sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Laços achados no chão

Fui o produtor de minhas próprias amarras,
ao sair do barco,
olhando pro chão, caminhando e não cantando
mais que as veludozas tristezas do percurso.
Achei o cordão no chão,
colorido, belo, fascinante e sujo.
Mas de todas as cores, um arco-íris.
Tomei-o nas mãos como se fossem meus,
pensei de quem teriam sido.
Daí o amarrei no pulso.
Pûs em mim a própria marca
do achado perdido.
O laço feito com dificuldade,
segurando pelos dentes uma ponta
forçando para não perder o laço.
Ainda estou com ela,
parece dar alguma jovialidade ao meu corpo.
Mas é a amarra do achado sujo.
Como a amarra gratuíta
que se toma sem perceber
que se está aprisionado.
É sedutor pela estética,
mas mantém preso.
Não provoca violência,
é beleza apenas contemplativa,
sem choque.
Beleza sem choque é mar sem peixe,
rio sem correnteza.

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