Eu que nem sou velho
vivo sentindo o tempo carcomido,
das coisas não feitas.
É que o que me rodeia é muito desfeito,
desfeito de magia e desejos.
Se deseja pouco.
É o veneno das certezas,
do lugar seguro e a distância da loucura.
Mas se cresce já se fala
em aposentadorias.
Dessa corrosão sem saber,
dor em que as plásticas vão
arrastando, esticando e enganado.
Os belos peitões da garota,
cobrem as tristezas de seu narcisismos.
E ficamos todos pensando
nas garantias desse tempo,
quando nos colocamos demasiado
débeis para enfrentar o que
bem claro se apresenta.
---
Se perguntasse o porquê de responder-me,
não saberia o que ela diria.
Talvez alguma espera, que despertasse
algo que poderia eu não ser,
que esse eu que lhe apresento,
poderia ser outro em tempo
à frente de nossos
andares de mãos dadas.
----
Ela não me ama.
Eu a desejaria na cama.
Dou o que não tenho,
a alguém que não o quer.
Fico impaciente na espera
da espera,
da resposta da minha iniciativa primeira.
Do remorso que me toma pela
indecisa posição das mulheres,
um contorço do corpo
pelos redemoinhos em pensamento
por elas realizado.
Ela não me ama.
EU a desejaria na cama.
Dou o que não tenho,
a alguém que não o quer.
Meu desejo não é pagamento
aos tempos de espera,
a espera da espera,
dela responder às minhas iniciativas primeiras.
Que insiste, insiste e transmite o que
adocica minhas noites em pensamento.
A onda que bate forte
na pedra dura,
não volta com a mesma intensidade,
parte fica nela - em sua vaidade;
parte se reparte entre outras pedras
- ainda em labirintos de vaidades;
outras resmas dessas partes respingam
nos transeuntes que não têm nada a ver.
Um pouco dessa força
movimenta a pedra,
mas bem pouco, e leva tempo.
Contudo é uma coisa tão bela,
o bater da onda na pedra,
e quão contente é quem olha,
quão poético quem pesca por ali,
quem contempla esse balé,
quem se poetiza com a água
respingada nessa violência
entre onda e pedra.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário