domingo, 30 de março de 2008

Carta II


Sonho de uma noite de verão!

Cara, como estava bom aquela conversa, sobretudo depois do meio copo de limãozinho e de eu embuchar com o rollmops[que não é nada mal!!!]. E até por isso, pensei em escrever ainda hoje, porque ainda permaneço com a mesma áurea de ontem, não com no momento em que o comportamento e o falar já era de quase ébrio, lá no Moppi. Claro que agente guarda esses momentos, nem precisando de máquina fotográfica, agora, para escrever é preciso estar tocado por emoção, paixão, tesão... Isso é fazer poesia. Não digo que faço, pois o negócio é difícil. E mesmo parecendo "nhenhenhê", isso também é bom, e até na imagem que poesia é algo fora do 'chaõ', do sonhador que bebeu e curtiu uma noite com uma rapaziada e um velho-jovem, não é verdade?! Pois poesia é o que toca, e o que toca é sensível, palpável. Caramba, quanta coisa não tirariamos daquela mesa, quantos destinos, vitórias, derrotas, fracassos, caminhos, famílias, e sobretudo histórias, desde aquelas que agente fofoca até aquelas que fazem parte do cotidiano de tudo um mundo - um cara que é dono de uma empresa com inserção até nas Ilhas Maurício!

A vida é feita de acasos mesmo. O problema é que somos muito açoitados, a vivermos presos, em sistemáticas que nos faz pensar 'fins à meios'. Ou não é verdade, não critico as pessoas, que são forçadas a fazerem coisas que não gostam, mas fingem que gostam[como eu finjo que aprendo e o professor finge que ensina e a vida vai se levando....até onde não sei!], e isso se repete em tudo, o cara finge que ama a mulher, mesmo a traindo; a mulher finge que ama o cara pois o cara é 'o cara'[sei lá do tipo winner do 'sistema', como exemplo, um executivo endinheirado, mas tu entendeste.]. É um reino de mentiras, de lutas por holofotes, por pisar sobre os outros, mesmo que isso pareça normal[lei da sobrevivência, ou a tal lógica do mercado que a tudo regula, como já dissia Adam Smith, o célebre do capitalismo]. De todo modo, nesse mar de lamas, há sempre uma 'rosa do povo', como já colocava Drummond, algo meio como fé. Fora do espectro religioso, algo espiritual mesmo, que também pode ser religioso[cada um cada um], como eu aqui acreditando que tu estás lendo com prazer o texto, acreditando que eu amo meu pai e ele o mesmo... ou seja, acho que coisas são movidas por isso, nós acreditarmos; até pelo fato de não sermos nada, um grão de areia, mesmo os que se acham muita coisa, são meros cocozinhos; a questão é realizar, digo acreditar e embasar as coisas, os pensamentos, idéias, devaneios, conversas e tudo que vier do coração. Fé que eu realmente existo, pois se se pode presumir que o átomo é um 'espírito', afinal, o quê nós somos???? Não meros cocozinhos, somos se seguirmos a merda '[im]pensante' que tem por aí, a tv, o jornal, os comunicólogos, os atores, que nos fazem atores de uma peça que ainda procuramos diretor e ninguém sabe se realmente há, ou se podemos dirigi-la anarquicamente, ou coletivamente a priori. Se há tantos, como ser diferente? Tantos livros já escritos, tantos filmes feitos, tudo parece se repetir, e mais eu? Nessa merda toda! Não, isso não se pode deixar!!! Que o restante da paixão que envereda certos traços de nossas ações se faça mais presente, para conseguirmos arrancar coisas mágicas, como fazer um velho alemão chorar numa roda de bar. Putz, aquilo, a emoção nos olhos dele, do rosto cansado, mas também alegre; vivido mas também aberto ao novo que é carregado do novo dia; do semblante filosófico, sem deixar a racionalidade empresarial; foi algo muito profundo. Da mesma dimensão que um mergulho em um poço, aparentemente gelado, onde se pode buscar uma moeda que caiu e na volta tu te veres no mar, com os peixes, numa água quente na linha do equador, trazendo uma moedinha que não possui valor monetário algum, no entanto, é algo maior. E foi realmente grande noite, pois se tudo hoje é presa, aquela noite foi o século passando devagar, no uníssono da orquestra que toca Beethoven, ou mesmo na tristeza forte e imperativa de Dies Ire de Mozart. Ao passo que fora forte o sujeito velho e canastrão[no bom sentido], que teve o 'poder' de nos fazer ouvir, e acalmar, no som de uma música que não costumamos ouvir, sobretudo em um bar.

Sei que ficou meio ‘nhenhenhe’ o texto. Essas coisas são assim mesmo, é que agente fixou-se na 'chave de fenda e no parafuso', sendo difícil tratar de sentimento, há diversas 'catracas' que nos forçam a ultrapassar, ou 'fingir' esses dilemas. Não é à toa que o mundo ocidental entrou na moda do orientalismo, yoga, budismo, essas coisas; pois as pessoas querem referência e quando as instituições antigas estão doentes[família, igreja, Estado...], o sujeito se agarra a qualquer coisa, alguns em cada coisa que mais os ligue a determinado anseio. Não digo que não se pode tomar coisas boas de cada coisa, mas o foda é que tem muita coisa anormal, frankstein, bizarra e sobretudo anti-natural[nem é anatural, mas anti mesmo, contra a maré]. O bom mesmo é fazer, TBC, e fazer, mas pensar no que fazer, por que fazer, para onde fazer. Mas fazer, e se pensar muito também, o vento passa, o avião decola, o ônibus zarpa e tu ficas a ver navio!

Puxa, é difícil ser poético, assim como é difícil desnudar a sociedade, tirar o véu que encobre tudo. Mas é bom, às vezes incomoda, mas é bom.

Não ligue para os pontos de superestimação de coisas, pois fazem parte do fluxo da consciência que trilha o escrever.

Tudo de bom

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