Vendo a cidade de Montevideu
três gerações podiam ser vistas
os velhos, os pais das crianças - que
são os filhos dos velhos, e as crianças -
filhas dos pais.
Faltava os jovens, a nossa geração.
A cidade envelhecida
por ter condução de abortadores de sonhos,
ditadura que rompeu largos compassos
que modificaria até o cinza frio
das esquinas escondidas. O cinza não mais seria
prateado.
Restava o convívio entre
avós e netos. Algo gostoso e bonito.
A criança andava sobre as asas
daquelas de pele castigada.
Já não teriam a amargura,
a falta de pão e a sêde
que poderiam ter os menores.
Sobre as leves costas das crianças
mais uma vez seriam jogadas
suas desgraçadas esperanças.
Ainda bem que não se cansam
de mostrar o céu celeste
para os olhos atentos do menino.
Em outra parte, entre avó mãe solteira
e menininha com boneca no colo, algo se repartia.
A lábrima que caia ao ser ver
uma vida inteira,
e uma melancolia ao ver como
a mesma é uma contínua
partida. Onde estaria o pai?
Se reparte tanto... não
deveria ser para perder as partes
que compõe.
Pois só ela compõe
a melodia que sustenta
o labor dos dias.
A vida cansada é repartida,
e a esperança, outra vez,
está na vida inteira das meninas e meninos.
E oxalá não se parta em mais partes distantes,
poupando as carências dos abraços.
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algum dos últimos dez dias de janeiro de 2008.
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