sábado, 26 de janeiro de 2008

Vista da cidade


Vendo a cidade de Montevideu

três gerações podiam ser vistas

os velhos, os pais das crianças - que

são os filhos dos velhos, e as crianças -

filhas dos pais.

Faltava os jovens, a nossa geração.


A cidade envelhecida

por ter condução de abortadores de sonhos,

ditadura que rompeu largos compassos

que modificaria até o cinza frio

das esquinas escondidas. O cinza não mais seria

prateado.


Restava o convívio entre

avós e netos. Algo gostoso e bonito.

A criança andava sobre as asas

daquelas de pele castigada.

Já não teriam a amargura,

a falta de pão e a sêde

que poderiam ter os menores.

Sobre as leves costas das crianças

mais uma vez seriam jogadas

suas desgraçadas esperanças.


Ainda bem que não se cansam

de mostrar o céu celeste

para os olhos atentos do menino.

Em outra parte, entre avó mãe solteira

e menininha com boneca no colo, algo se repartia.

A lábrima que caia ao ser ver

uma vida inteira,

e uma melancolia ao ver como

a mesma é uma contínua

partida. Onde estaria o pai?

Se reparte tanto... não

deveria ser para perder as partes

que compõe.

Pois só ela compõe

a melodia que sustenta

o labor dos dias.

A vida cansada é repartida,

e a esperança, outra vez,

está na vida inteira das meninas e meninos.

E oxalá não se parta em mais partes distantes,

poupando as carências dos abraços.
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algum dos últimos dez dias de janeiro de 2008.

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