"Aquele que teme a cegueira ao ver o sol" foi vitorioso sobre boa parte do anel externo do deserto. Deixou o filho nú e carregou uma delas para satisfazer seus suplícios. Durante o andar em círculos sobre o mar de areiam derrotaria, mas não venceria, todos os profetas. Ao final não enxergava de todo, um profundo coma o acometeu. Aquilo o faria asceder e sucitar alguma impassividade.
Ainda no percurso da sina contra os quatro profetas encontrou mais uma delas. Andava consigo, mas com outra delas, eram duas. Ao cabo de completar o ciclo, duas línguas se enroscavam num selvagem beijo - e ele impávido mirando a tal cena, ainda não sabia se era o filme surreal de sua cabeça produzido pelo calor do deserto. Eram duas serpentes, ardentes, sedosas, sensuais e diabólicas. De repente uma delas larga e arrebenta a ponte que dá sustento ao nosso cavaleiro, e abraça outra dela, eram as duas uma só agora, a mesma - uma só serpente. Como todas as belas, elas eram curvilíneas e sedutoras. Irresistíveis!
Não necessariamente precisamos tomar qualquer percepção de negativismo por estarmos falando em cobra, mas jamais há inocência nesse trato. Aliás, Inocência é o nome mais safado da face da terra.
Foi pensando no cenário do deserto circular que arremeteu para o porto que constava em sua resignação. Não era o filme de sua vida, também não era o martírio do sol escaldante - pelo ao menos na lojinha que estava trabalhando tinha ventilador. Veio o ollhar repentino sobre aquele quadrado de espaço lotado de mulheres. Um verdadeiro ninho de serpentes. Desditosas por largar suar ventosas nos objetos coloridos e adornadores(encobridores) de seus corpos. Sim, desditosas pois queriam encobrir qualquer tristeza, não apresentadas conquanto tivessem as melhores e mais belas vestes. Engraçado que procuravam o mais sensual, nem sempre o menor, mas o mais intencional - contudo se portavam, ao falar, como moralizadoras. Havia um ar de `família perfilada e perfeita`, enganada pelas indiscretas intenções das pessonhentas.
Chegavam suntuosas, alguma turbinadas, pendindo coisas do comércio. Conscientemente sem ter como dito respondia com combinações sexuais("moço, quero um descontão"; -e eu quero o teu peitão; "....quem não chora não mama, tem que pedir um desconto"; -mama aqui sua gostosa. E por assim vai). Não pecaminosas por intensidade ou animalidade, era algo com sutilidade. O disfarce era se fazer monge, distraia minimamente os olhares teimosos.
Enfim havia um fruto desalmado de chateação cotidiana. Via o enterrar-se na areia de seus fugazes desejos, e tornava cansada sua vivência. Ou odiosa, até porque cria estar caduca aquelas suas mesmas percepções. Não precisa de tantos giros, senão de revoluções.
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Alguns retoques calados nos momentos inesperados, as vozes que falam bem são ecoadas nos pensamentos, como prumos dos mais preparados semblantes e repercussões discursivas. Há algo de que imantiza o ser, não são coisas mecânicas e muito menos espirituais. Insignificados refletidos na lentidão da mudança. O tempo não parece o mesmo, ao se ver mais velho, a idéia de voltar atrás é a prova feia da derrota, quando não da própria rendição e procriação desatinada de tua dependência.
Do que depender se ainda não falta o que comer!? Essa relação torna quão mesquinhos nossos caminhares, nossos calcanhares são ralados frente a esses lapsos de seqüências conforme o baile. Nao passou da hora de interromper as miradas nos espelhos, sejam os de vidro ou os eletronicos, para sentir em si as dores do mundo, mas transpô-las de outro modo. É uma grande pretenção, valeria um sinal, um facho qualquer para seguir caminho - quiçá seja algo que clama por perceber, já que isso não vem, mas é buscado - pode vir ao acaso, ainda que no ocaso. As ruelas da dependência também não foram apagadas, desses ofuscados percursos e percausos, entre coloridos, e pretos e brancos, e cinzas, de cada instante, desde os momentos em que não dormiu.
Enfim havia um fruto desalmado de chateação cotidiana. Via o enterrar-se na areia de seus fugazes desejos, e tornava cansada sua vivência. Ou odiosa, até porque cria estar caduca aquelas suas mesmas percepções. Não precisa de tantos giros, senão de revoluções.
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Alguns retoques calados nos momentos inesperados, as vozes que falam bem são ecoadas nos pensamentos, como prumos dos mais preparados semblantes e repercussões discursivas. Há algo de que imantiza o ser, não são coisas mecânicas e muito menos espirituais. Insignificados refletidos na lentidão da mudança. O tempo não parece o mesmo, ao se ver mais velho, a idéia de voltar atrás é a prova feia da derrota, quando não da própria rendição e procriação desatinada de tua dependência.
Do que depender se ainda não falta o que comer!? Essa relação torna quão mesquinhos nossos caminhares, nossos calcanhares são ralados frente a esses lapsos de seqüências conforme o baile. Nao passou da hora de interromper as miradas nos espelhos, sejam os de vidro ou os eletronicos, para sentir em si as dores do mundo, mas transpô-las de outro modo. É uma grande pretenção, valeria um sinal, um facho qualquer para seguir caminho - quiçá seja algo que clama por perceber, já que isso não vem, mas é buscado - pode vir ao acaso, ainda que no ocaso. As ruelas da dependência também não foram apagadas, desses ofuscados percursos e percausos, entre coloridos, e pretos e brancos, e cinzas, de cada instante, desde os momentos em que não dormiu.
Um comentário:
que se cuidem as putas, as donzelas, as casadas, e as solteiras. chegou o marques de sade na cidade.
porra camarada, nao conhecia esse seu lado na escrita, imagino como que deve ser estar nessa loja.
a estoria ta meio sem nexo, é dificil de seguir, mas enfim, sao apenas lapsos.
gostei da imagem da serpente, bastante surrealista, me lembrou aos filmes do jodorowsky.
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