domingo, 9 de dezembro de 2007

RIO



Nasci com um rio nos fundos de minha casa.

a princípio era pequeno, quase um córrego.

Nunca crescera, sempre fora pequeno,

Nem sei se ainda existe.

O deixei, pois me mudei.


Para onde fui não havia mais rio,

Acabei sentindo só a água vertical,

Contemplava a chuva, da janela,

De frente para um laranjal.


O rio sempre fez falta,

Por mais fraca que seja a correnteza,

É a visão do caminho,

Não andaria sobre águas,

Mas elas me conduziriam,

Bastaria um barquinho.


A sede era imensa.

Não bastaria o rio que corta a cidade,

De raízes fartas, prostituído pelos dejetos.

Que a vontade por ver flores em bueiro

Fosse maior,

Ainda queria o Rio.


E se não fosse para o Rio além do trópico,

Desceria para o Rio das largas cochilas,

Da gente de falar forte, de pompa e circunstância.


É, realmente era o Rio quente, de sangue picante,

Cuja vida passaria,

Nem que fosse só um passarinho,

Pra beber daquel’água.


L.C.Ramiro Jr - algum tempo de 2006


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