
Nasci com um rio nos fundos de minha casa.
a princípio era pequeno, quase um córrego.
Nunca crescera, sempre fora pequeno,
Nem sei se ainda existe.
O deixei, pois me mudei.
Para onde fui não havia mais rio,
Acabei sentindo só a água vertical,
Contemplava a chuva, da janela,
De frente para um laranjal.
O rio sempre fez falta,
Por mais fraca que seja a correnteza,
É a visão do caminho,
Não andaria sobre águas,
Mas elas me conduziriam,
Bastaria um barquinho.
A sede era imensa.
Não bastaria o rio que corta a cidade,
De raízes fartas, prostituído pelos dejetos.
Que a vontade por ver flores em bueiro
Fosse maior,
Ainda queria o Rio.
E se não fosse para o Rio além do trópico,
Desceria para o Rio das largas cochilas,
Da gente de falar forte, de pompa e circunstância.
É, realmente era o Rio quente, de sangue picante,
Cuja vida passaria,
Nem que fosse só um passarinho,
Pra beber daquel’água.
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