terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vizinha pequenina

A conhecia de vê-la passar,
de quando era pequeno,
ela criança.
Menina abrigada por dois irmãos.
Do pais sério, dos irmãos sérios,
carregou o rosto fechado.
Porém meigo e de obscura doçura.
Digo sem saber,
lembro apenas que a via passar.
Depois de tantos anos sem
vê-la passar,
vê-la estática
foi assustador.
Deus como o tempo passa[!],
mas retornamos ao mesmo lugar,
via ela outra vez.
Agora parada, lá.
E eu aqui, a passar.
Só não sei se vou ter com ela,
pelo ao menos dar um oi,
se assim não ficarei, quem sabe,
parado ou passeando com ela.

E pela segunda vez a encontrei,
perguntei o nome,
como carregava comigo a noção
da proteção,
fui logo perguntando dos irmãos,
erro de relação.
Já não era mais menina.

Além do calor do dia,
o quê obtive daquela boca
com dentes quadrados,
formando um esquadro sisudo,
mas no sorriso uma curva leve,

foi o resgate do nome,
que nunca soube,
mas fiquei sabendo que de princesa
era.
E um olhar de espelho,
não sei se de desconfiança,
se de medo,
se de atração,
se de tentação,
se de afirmação,
se de negação,
se de proteção,
por causa de mim
ou na procura de mim,
ou de alguém.

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