domingo, 27 de julho de 2008

dois sem nós

O vento
e
o tempo

o tempo e o vento
o vento e o tempo,
vento! e que tempo!
que vento do tempo!
do tempo levado pelo vento
e o vento que se vai nesses tempos.

O tempo
o vento,
vento e tempo
tempo e vento.
E se fosse tempo
de assoprar um tempo
e se fosse hoje o tempo
com o vento.

E nós que fazemos o tempo,
mas na forma do vento.
com cor,
com cheiro,
com sabor,
e com tempo.
Ainda assim,
não moldamos o vento.

O vento
o tempo,
casamento entre nós, entre eles,
e o que sois entre
o vento e o tempo.
tempo e vento que não sois,
apagado pelo tempo
levado pelo vento.
ainda assim não sois objeto,
sois de
tempo e vento
em tempos e em ventos.

Corre, corre!
que o vento levou os ponteiros do relógio!
não há tempo para ver o vento,
não há vento que desfaça os calendários,
há tempo, que vai e que não volta,
há vento que vai e volta, quando achamos que é
tempo.

[Ah, e perdoemos
aqueles que
prevêem o tempo,
procuram o vento,
já acham que sabem tudo do
tempo e disseram tudo sobre o vento]
Pois então,
aqui se inventa mais um dizer
sobre o tempo e o vento
sobre o vento e o tempo.
o que somos e não somos
no tempo e no vento
do vento e do tempo.

Não há mais tempo
perdeu-se o bonde,
mas volta o vento,
vento que nos leve,
que nos leve , bem leve
do tempo
desse tempo,
que viajemos no tempo,
de outros ventos.

E de tempos em tempos
nos faça vento,
pra andar por aí,
sei lá,
pra qualquer lugar..
de tempos em tempos
de ventos em ventos
no tempo
no tempo
nu tempo
...
no vento
no vento
nu vento
e livre do tempo
e vivo no vento
e tempo livre
pra ser vivo
e,
ser,
sentir,
amar e
beijar
o vento - de todos e de nenhum tempo.
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2008

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