Todo poeta é um complexado,
embrenhado em suas cavernas,
seus mundos e desabafos.
Ninguém entende,
mas pode achar belo.
Ninguém, aliás, só ele, ou nem ele,
acha que entende suas dúvidas
e respostas,
isso quando as tem.
E nesse complexo, nessa coisa que
se abre, como flor desabrochando
exalando o que for de seus
complexos -
reflexos, produção,
daquilo que o contém,
que o possui, encanta e o conforma,
e o revolta desse mundo,
isso tudo está em seus complexos.
Mas atenção!
esse complexo não é prisão ou caverna,
por mais que seja o desejo de
se perder nos labirintos
dos complexos...
Liberta, cria e voa.
Pois bem,
é isso o mais paradoxal,
o mais paradoxal de seus imbróglios -
além de todo sumo que consegue
tirar da dor, da tristeza, da feiura e da amargura,
quando não da beleza e da finura -
é sem dúvida que só de complexos
vive o complexado,
o complexo alimenta:
homem - alma e corpo -
e poesia.
E
se fosse se desenlear,
se embonitar,
se morrer,
se desfazer de todos os elementos de seu complexo,
não seria mais complexado,
e pior, deixaria de ser complexo,
morreria a poesia.
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2008
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