domingo, 9 de dezembro de 2007

Tragédia do tangoquinta


do tango que não dançou, com a Maria que queria, pesou o abandono.
as portas fechadas não cessavam, pior era a ´prisão de fazer
redondilhas no pensamento.
Primeiro veio o visar em distância pequena. Visão de perfil, cara cisuda.
De pronto poderia se pensar na paty que se apresenta como sabida,
ao fazer perguntas difíceis e coisa e tal. No primeiro contato, pré-conceito
diluído. O saber das coisas estava tão raro, que alguém com profundidade,
parecia não mais vir com naturalidade.
Daí a disconfiança quanto a naturalidade, sinceridade.
Não sei se a fruição, chamada de liberdade, também é descomprometimento,
de algo não bem entrelaçãdo. Como deixar telefone tocando, dormir em horas
opostas e contar o esquecimento pretérito em dia posterior de lucidez,
sem ao menos lembrar do que não fez, pela tal da fruição.
Um charme viria do tango, o corpo magro na sensualidade do vestido levantado,
as coxas se agigantariam, pela sensualidade do gingado, que aprendeu
do nosso samba daqui. O cigarro na boca revela uma safadeza tragável -
já no sonho por aquele corpo.
No rumor que se mudaria, várias ligações, sem razão talvez, para arrumar pretexto
de ajuda. Inclusive para mudanças.
Não achei que houvesse muita iluminação própria para lhe revelar tal solidão.
Não encontrara nenhum amigo para ajudar com as bugigangas de seu apartamento,
deixaria coisas uma casa: os sexos de frente para a janela enorme, a velha que lhe
chamava de puta - quiçá por seu independentismo, de amizades mais masculinas
que femininas.
Nesse dia de sábado, veio o telefone, na verdade uma breve mensagem.
Quase como, 'e agora, queres ajudar!?'. Pensamento contrário era pecado,
não apenas na situação de galanteio para a questão, como ajuda para uma amiga -
mesmo que isso soasse pretexto, que realmente vinha a reboque.
Algo como o melhor momento ia surgindo, todo esforço, toda sujeira
a ser removida, como o ser arisco com relação a mim ir se esvaindo.
O beijo foi quase uma rendição ao cansaço.
Tudo foi bom, entre músicas e hablares, elogios e dizeres, música que tocou
e poemas declamados.

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