segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Barulho confuso

Vum-vum-vum na porta de casa.
Da praia a trinta metros
da chateação a todo instante
todos no mesmo espaço,
em vias de comemorar
o mesmo instante.
Tempo e lugar,
praia e vento,
barulho e bebida.
Era a guerra, a animalia,
a barbárie como animais famintos.
Em desafogar todas as postergações
de mais de trezentas noites em
um afogamento truculento.
Pensaria assim se os ouvidos
tivessem vida própria;
ainda que seja atento
aos olhos.
"Olhe que os olhos tortos
reiterariam", que foi de
olhos asiados, amaciados e
ensinados - a ver o anormal
como normal.
Que o mesmo vira festa,
em sons que repetem balas,
canhões e morteiros.

A animalidade se faz como um entreter.
E em qualquer instante,
os sentidos falecem nessa
confusão de não poderem mais
definir e distingüir
uma festa de uma guerra.

As duas são imiscíveis.
Mesmo que acabam sendo dependentes.

[dez 2006]

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